[Resenha] O papel de parede amarelo

o papel de parede amarelo

Eu precisei reler esse conto pra falar dele aqui. Mais especialmente por conta do último parágrafo.

Já nas primeiras linhas desconfiei do que a protagonista e narradora do conto sofria. Mas não falaremos de achismos diagnósticos.

A personagem é uma mulher, sem nome citado, que acabou de ter um bebê e é diagnosticada pelo marido médico, como tendo uma depressão nervosa com tendências histéricas e a deixa confinada num quarto a fim de estabiliza-la.

Além da privação do contato humano, ele contraindica qualquer esforço físico ou intelectual. John, o marido, desaprova inclusive o seu hábito de relatar em um diário o curso de seus dias.

A depressão nervosa aliada ao confinamento exacerbou seus conflitos mentais e como uma estratégia de fuga ela se torna obcecada com o papel de parede do quarto.

O texto todo é muito angustiante, principalmente nos momentos em que ela relata a descrença da família e amigos de que realmente esteja doente, desencorajam suas ações e riem-se dela.

O papel de parede amarelo me lembrou muito uns textos e videos muito compartilhados nas redes sociais, dizendo como devemos nos comportar diante de uma pessoa com depressão e do que não dizer pra ela.

Isso é frescura. Você precisa se esforçar. Tá nessa porque quer. Não entendo porque você está sempre tão triste, sua vida é perfeita.

Esses são alguns lugares comuns, tão século XIX e ao mesmo tempo tão atuais, que encontramos em O papel de parede amarelo. Não com essas palavras, lógico, mas com esse sentido.

Charlotte Perkins Gilman foi uma romancista e contista americana, nascida em 1860. Alguns estudiosos consideram O papel de parede amarelo uma manifestação feminista da autora contra à redução da mulher ao ambiente doméstico, já que mulheres eram considerados frágeis e incapazes. Acredita-se também que este conto seja semi-autobiográfico. 

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6 comentários sobre “[Resenha] O papel de parede amarelo

    • Acho que o pessoal não leva a sério Pq não é uma doença “paupável”. A gente não consegue ver as feridas da alma. Talvez por isso seja tão difícil lidar com elas. 😔
      Que seu vovô fique bem logo.

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