Bullet journal por uma vida mais intencional

Meu primeiro bullet journal acabou. Quer dizer, o segundo, pois o primeiro foi relegado ao esquecimento, já que em 2016 eu ainda não sabia usá-lo e não tive comprometimento suficiente comigo e com ele para manter o hábito de registrar meus dias. Na verdade, acho que não havia compreendido muito bem o propósito dele.

Mais do que uma ferramenta de planejamento e organização, o bullet journal é um registro dos nossos dias ao qual podemos recorrer sempre que necessário. É também uma maneira muito eficaz de autoconhecimento. Através dele identificamos padrões de comportamentos que, possivelmente, nem perceberíamos se não estivessem escritos.

Inúmeras foram as vezes que recorri a essa ferramenta a fim de resgatar, de modo rápido, alguma informação importante e/ou urgente. Mas, mais significativo do que um registro de dados, o bullet é uma memória. Daquele dia incrível, daquele dia nem tão maravilhoso assim, daquele dia terrível que achávamos que não acabaria jamais. Ele sempre me arranca um sorrisinho de canto de boca toda vez que o folheio. Passear por suas páginas e contemplá-las despretensiosamente tem sido uma agradável atividade.

Como instrumento de autoconhecimento, o bullet journal pode ser ainda mais útil. Ao final dos três primeiros meses de uso, percebi que minha vida estava num rumo apenas reativo, ou seja, tudo que acontecia na minha vida era apenas resultado da minha reação às demandas que surgiam. Pouquíssimo era planejado, pensado, desejado. Foi um momento bastante desagradável, ainda que necessário e transformador. A partir dessa reflexão proposta pelos dados fornecidos pelo bullet journal, comecei a delinear uma vida intencional que caminha em direção à plenitude.

Qualquer método, sistema, ferramenta de planejamento e organização que nos propomos a usar vem acompanhado de um momento de reflexão que é crucial para nosso desenvolvimento enquanto indivíduos. Estou mais consciente de quem sou eu, do que me motiva e do que me freia. Depois de 6 meses de uso, posso dizer que o bullet journal se tornou meu amigo, confidente e, principalmente, meu espelho.