Lixo emocional alheio e crise de ausência

Nem meia hora depois de voltar ao trabalho e já tive que lidar com emoções alheias mal-resolvidas.

Durante meus dias em casa, havia me esquecido de como é difícil a gente não absorver o lixo emocional de gente beirando a terceira idade e que ainda não aprendeu a gerenciar suas frustrações. É um festival de agressividade gratuita, uma necessidade insaciável de sinalizar as dificuldades alheias a fim de abafar as próprias limitações. A reação imediata é de gritar mais alto, de sugerir que a pessoa mude de profissão, de mandar ir pastar, mas a gente respira fundo, recupera o equilíbrio perdido nos 15 segundos anteriores e faz crise de ausência e deixa o sujeito desestabilizado falando sozinho.

Falta muito para as férias de 2020?

8 de março e as causas que precisamos abraçar

dia internacional da mulher

O dia 8 de março não é sobre beleza, sobre a maternidade ou sobre como as mulheres conseguem dar conta de tudo em cima de um salto 15.

É sobre violência doméstica, é sobre assédio em todas as suas formas, é sobre estupro, sobre mortes, sobre desrespeito e desmerecimento. É sobre “ela é louca”. Ou sobre “tá naqueles dias, né?”. Mas se você preferir pode ser sobre “ela é assim porque é mal comida”. Perdoem-me o linguajar chulo, mas é daí pra baixo no mundo real.

O dia 8 de março é sobre o direito ao voto.

É sobre conquistas femininas que custaram sangue, literalmente.

Portanto, se você não ganhar uma florzinha neste dia, não se chateie. Não pense que alguém te esqueceu. Lembre-se apenas da felicidade que é ter seu próprio carro, sua casa própria, seu salário. Lembre-se de quão bom é poder escolher seus representantes políticos, a roupa que vai usar, o prato que vai comer. Alegre-se por ter escolhido se casar, ou não. Por ter escolhido ter filhos, ou não. Por ter escolhido ser dona de casa, ou não.

Alegre-se por saber ler e escrever.

E isso ainda é pouco.

Aproveite a data e leia sobre as mulheres que morreram para que você pudesse escolher. Sobre mulheres que perderam partes do seu corpo para te dar voz.

Aproveite para exercitar a empatia pelas mulheres que ainda precisam cobrir seus corpos para sair à rua, pelas mulheres que ainda não tem acesso à educação. Pelas mulheres que ainda tem seus corpos mutilados. Todos esses males simplesmente porque nasceram mulheres.

Reforce o coro das mulheres que gritam pela igualdade, pelo respeito, pela dignidade, pelo fim do racismo. E se você não quiser ou não puder gritar, não tente silenciar quem luta por essas causas. Afinal, as conquistas serão para todas.

Que o maior presente pelo Dia Internacional da Mulher seja o respeito nos 365 dias do ano.