[Resenha] O papel de parede amarelo

o papel de parede amarelo

Eu precisei reler esse conto pra falar dele aqui. Mais especialmente por conta do último parágrafo.

Já nas primeiras linhas desconfiei do que a protagonista e narradora do conto sofria. Mas não falaremos de achismos diagnósticos.

A personagem é uma mulher, sem nome citado, que acabou de ter um bebê e é diagnosticada pelo marido médico, como tendo uma depressão nervosa com tendências histéricas e a deixa confinada num quarto a fim de estabiliza-la.

Além da privação do contato humano, ele contraindica qualquer esforço físico ou intelectual. John, o marido, desaprova inclusive o seu hábito de relatar em um diário o curso de seus dias.

A depressão nervosa aliada ao confinamento exacerbou seus conflitos mentais e como uma estratégia de fuga ela se torna obcecada com o papel de parede do quarto.

O texto todo é muito angustiante, principalmente nos momentos em que ela relata a descrença da família e amigos de que realmente esteja doente, desencorajam suas ações e riem-se dela.

O papel de parede amarelo me lembrou muito uns textos e videos muito compartilhados nas redes sociais, dizendo como devemos nos comportar diante de uma pessoa com depressão e do que não dizer pra ela.

Isso é frescura. Você precisa se esforçar. Tá nessa porque quer. Não entendo porque você está sempre tão triste, sua vida é perfeita.

Esses são alguns lugares comuns, tão século XIX e ao mesmo tempo tão atuais, que encontramos em O papel de parede amarelo. Não com essas palavras, lógico, mas com esse sentido.

Charlotte Perkins Gilman foi uma romancista e contista americana, nascida em 1860. Alguns estudiosos consideram O papel de parede amarelo uma manifestação feminista da autora contra à redução da mulher ao ambiente doméstico, já que mulheres eram considerados frágeis e incapazes. Acredita-se também que este conto seja semi-autobiográfico. 

Livros lidos em Setembro

O mês de Setembro foi um mês razoável em relação às leituras. Li três livros curtos, dois deles lidos em apenas um dia. Esperava que fosse melhor, já que eu comprei muitos livros que quero demais ler. Mesmo assim acabaram parados na estante e deixados para os meses seguintes. Mas falemos dos lidos durante o mês. Caso deseje ler mais sobre as obras e suas respectivas sinopses, é só clicar no título que será redirecionado para o perfil correspondente no Skoob.

bonsaiBonsai: primeiro romance do chileno Alejandro Zambra e logo de início ele já deixa claro que o que menos interessa aqui é o final da história entre Julio e Emília. O foco é o desenrolar desse relacionamento e a forma como ele chega ao fim. Cultivar um Bonsai foi o jeito que Julio encontrou de se lembrar sempre do amor que viveu. O livro é cheio de referências a obras literárias como Em busca do tempo perdido e Madame Bovary. Além do conto que dá o tom ao fim do romance entre o casal protagonista. A premissa é ótima mas achei muito curtinha a condução da história. Umas 50 páginas a mais seriam bem-vindas.

meus documentosMeus documentos: mais um do Zambra. É um livro com onze contos. Uns maravilhoso, outros nem tanto. Os contos parecem inspirados na vida do próprio autor, já que todos os protagonistas são homens chilenos, ora escritores, ora professores de Literatura. Esses homens também demonstram muita insegurança em relação às mulheres, tiveram algum problema paternal… Outro tema recorrente, embora servindo apenas como pano de fundo, é a ditadura de Pinochet. Os contos Meus documentos e Camilo são disparados os meus favoritos. E Instituto Nacional me deixou nostálgica em relação ao meu tempo de escola. O homem mais chileno do mundo é uma história bem boa de ler, onde a gente torce pra que dê tudo certo ao final.

cão fantasmaO cão fantasma: o último livro concluído do mês. Li em menos de uma hora. Trata-se de um conto infanto-juvenil, podendo ser classificado como horror/terror/sobrenatural. E é do russo Ivan Turguêniev. Eu tenho um crush eterno pelos autores russos, então gosto de tudo que eles escrevem. Mesmo que não sejam uma obra prima, como no caso de O cão fantasma.

Me contem nos comentários se leu algum livro em setembro, quais foram os que mais gostaram, se já leram algum desses citados aqui.

Diário da vida saudável #1: academia + pilates + quadrinhos

diário

D2 de academia concluído com sucesso. Hoje foi um pouco mais difícil ir pra academia pois ainda esteva bastante cansada de ontem. Não descansei nem 24h. Fui pela manhã, cheguei às 9:30 na academia e sai às 10:20. Por enquanto estou fazendo apenas exercícios aeróbicos como caminhada e o assassino ( falei dele ontem aqui). Depois que sai da academia fui com meu marido à loja de quadrinhos que ele frequenta desde a adolescência. Adquiri pra mim A Metamorfose, do Kafka, em formato de mangá. Voltamos pra casa caminhando mesmo, mais 1,4km pra conta. Na verdade 2,8km contando ida e volta.

Parei em casa só pra deixar o Kobo e tomar mais água e fui direto pra clínica de saúde e estética, que tem aqui em frente a minha casa, me informar sobre consulta com nutricionista, aulas de Pilates e massagem relaxante + reflexologia.

A aula experimental de Pilates me fez lembrar dos músculos que eu havia esquecido que existem. J-E-S-U-S

Amei! Assim que virar o mês (leia-se cair o salário na conta) me matricularei. Pretendo fechar um pacote de 3 meses, com aulas duas vezes por semana.

Amanhã será um dia de zero exercício, pois tenho 24h de plantão pra cumprir. As últimas horas de trabalho do mês. Vou tentar usar mais as escadas do que o elevador. Oremos!

Aparentemente, estamos iniciando uma nova categoria aqui no blog…

Sobre o ano que eu passei lendo 1Q84

1Q84-fluxoconstanteblog

Nunca pensei que um dia eu terminaria um livro que não estivesse gostando de ler. Sou do tipo que acha a vida curta demais pra perder tempo com livros ruins. Mas é aí que mora a grande questão: 1Q84 (o livro 1), do japonês Haruki Murakami, não é ruim. Eu é que não me conectei com a história. Foi mais de um ano lendo só mais um pouquimho, vai que melhora. Nessa semana li os dois últimos capítulos que faltavam pra encerrar o livro. Meu histórico no Skoob diz que a última vez que o li foi em maio deste ano.

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