[Resenha] O papel de parede amarelo

o papel de parede amarelo

Eu precisei reler esse conto pra falar dele aqui. Mais especialmente por conta do último parágrafo.

Já nas primeiras linhas desconfiei do que a protagonista e narradora do conto sofria. Mas não falaremos de achismos diagnósticos.

A personagem é uma mulher, sem nome citado, que acabou de ter um bebê e é diagnosticada pelo marido médico, como tendo uma depressão nervosa com tendências histéricas e a deixa confinada num quarto a fim de estabiliza-la.

Além da privação do contato humano, ele contraindica qualquer esforço físico ou intelectual. John, o marido, desaprova inclusive o seu hábito de relatar em um diário o curso de seus dias.

A depressão nervosa aliada ao confinamento exacerbou seus conflitos mentais e como uma estratégia de fuga ela se torna obcecada com o papel de parede do quarto.

O texto todo é muito angustiante, principalmente nos momentos em que ela relata a descrença da família e amigos de que realmente esteja doente, desencorajam suas ações e riem-se dela.

O papel de parede amarelo me lembrou muito uns textos e videos muito compartilhados nas redes sociais, dizendo como devemos nos comportar diante de uma pessoa com depressão e do que não dizer pra ela.

Isso é frescura. Você precisa se esforçar. Tá nessa porque quer. Não entendo porque você está sempre tão triste, sua vida é perfeita.

Esses são alguns lugares comuns, tão século XIX e ao mesmo tempo tão atuais, que encontramos em O papel de parede amarelo. Não com essas palavras, lógico, mas com esse sentido.

Charlotte Perkins Gilman foi uma romancista e contista americana, nascida em 1860. Alguns estudiosos consideram O papel de parede amarelo uma manifestação feminista da autora contra à redução da mulher ao ambiente doméstico, já que mulheres eram considerados frágeis e incapazes. Acredita-se também que este conto seja semi-autobiográfico. 

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[Resenha] Mudança, Mo Yan 

 

Mais um livro concluído para o Desafio Literário Skoob 2016.

Originalmente eu havia escolhido O gigante enterrado como o livro para o mês de fevereiro, que tem como tema um livro de autor asiático. Mas acabei escolhendo outro pois o primeiro possui um lirismo tão singelo e encantador que não dá pra ler com prazo pra terminar.

Falemos de Mudanças…

Em 2009 Mo Yan foi convidado a escrever sobre as mudanças ocorridas na China nos últimos 30 anos. Sem saber como e o quê, começou a escrever sobre ele mesmo e num dado momento percebeu que era impossível desvencilhar-se daquele tema, que era tanto sobre ele quanto sobre seu país.

O livro de 128 páginas é uma colcha de retalhos, no bom sentido. As duas histórias se entrelaçam. Desde sua infância até a vida adulta, mudanças políticas e econômicas moldavam o destino da China e do autor, aproximando-o da carreira literária que ele tanto almejava.

Ler Mudanças é como se estivéssemos sentados numa cadeira de balanço, na varanda de casa, ouvindo o avô contar pequenos casos da sua longa vida, tudo que ele fez pra chegar até ali.

É um texto simples, singelo, sem grandes preocupações com estilística. Uma conversa casual entre amigos… Recomendo que leiam sem muitas expectativas, ideal para aqueles dias em que queremos ler algo leve, simples e satisfatório.

Post especial para o Desafio Literário Skoob 2016.

Para ler a sinopse visite a página do livro no Skoob.

[Resenha] Doctor Who-Shada

Há tempos não falo sobre livros aqui e nada melhor do que voltar a fazê-lo falando de Doctor Who.

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Estou devendo um post sobre a série, eu sei. Eu só preciso baixar meus episódios favoritos e revê-los pela enésima vez pra compartilhar aqui.

Por ora falemos de Shada, o primeiro livro de Doctor Who que li.

Esse livro tem origem no episódio, de 1979 e roteirizado pelo Douglas Adams, de mesmo nome, que nunca foi ao ar. Algumas cenas até foram gravadas mas não terminaram as filmagens por motivos alheios.

Gareth Roberts, também roteirista da série, foi convidado a concluir o episódio em forma de prosa e o fez com maestria. A história é bem típica da série, algum alienígena louco deseja dominar o mundo e coloca a Terra em risco. O Doutor e seus companheiros chegam para salvá-la. Todo mundo sabe como esse senhorzinho, aqui com 760 anos, é apegado a esse planeta e seus habitantes. No meio disso muita confusão, algumas baixas e muita ciência, embora uma ciência inexistente. Eu acho.

Há quem diga que Doctor Who é ficção científica, fantasia, fantasia científica, ficção fantástica. Bem, de fato, a série e este livro são mesmo fantásticos.

Roberts conseguiu manter o tom cômico do Adams. Eu dei boas risadas desde a primeira página até a última. Aliás esse livro tem o melhor primeiro parágrafo que já li em toda minha história com livros. E a dissolução do conflito bem absurda, como sempre. Sensacional.

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Diga aí se não é o melhor primeiro parágrafo que você já leu.

Eu recomendo o livro a todos que o curtem o gênero. Mas acredito que quem já assistiu a série conseguiria capitar melhor toda a ideia de Shada, já que ele é cheio de referências ao próprio cânone.

Foi uma grata surpresa e eu já quero mais livros com o Doutor.

DOCTOR WHO SHADA 1

Post especial para o Desafio Literário Skoob 2016.

Para ler a sinopse visite a página do livro no Skoob.

[Livro] Memórias de um sargento de milícias

milícias

O livro trata das vicissitudes de Leonardo. Jovem rapaz que tem a vida ora marcada pela boa sorte ora marcada pelos infortúnios. Sua história começa com o namorico de seus pais, Leonardo-Pataca e Maria-das-Hortaliças, ainda no navio que os trazia para o Brasil.

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Sobre o ano que eu passei lendo 1Q84

1Q84-fluxoconstanteblog

Nunca pensei que um dia eu terminaria um livro que não estivesse gostando de ler. Sou do tipo que acha a vida curta demais pra perder tempo com livros ruins. Mas é aí que mora a grande questão: 1Q84 (o livro 1), do japonês Haruki Murakami, não é ruim. Eu é que não me conectei com a história. Foi mais de um ano lendo só mais um pouquimho, vai que melhora. Nessa semana li os dois últimos capítulos que faltavam pra encerrar o livro. Meu histórico no Skoob diz que a última vez que o li foi em maio deste ano.

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